15 de abril de 2010

Frase do Dia

A vida sem reflexão não merece ser vivida.
Sócrates

Jingles Antigos no Silvio Santos

Uma seleção dos jingles bizarros que nunca esquecemos, apresentados no programa Show de Calouros do Silvio Santos. Atenção para a cara de afetação que os jurados fazem ao cantar a estas músicas.
Vale a pena assistir a estes momentos nostálgicos da televisão brasileira dos anos 80.

Show de Calouros - jingle Galinha Azul


Show de Calouros - Jingle Atroveran


Show de Calouros - jingle Apracur


Show de Calouros - jingle Maracugina


Show de Calouros - jingle Econolux

14 de abril de 2010

Vende-se Tudo - Texto de Martha Medeiros

Recebi este texto por e-mail. É bem reflexivo, vale a pena ler para reavaliar a vida...

Vende-se Tudo
Martha Medeiros

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo oque ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.
O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentad os que alguém aparecesse.
Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi.
Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.
Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto.

Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.

Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida... Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.
Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio.
Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.
... só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir.

Yahagi - Clipe Musical Japonês

O cantor é chamado Yahagi e a tradução do nome da música é algo como "Eu gosto de seu rosto". Interessante e japonês.

 

13 de abril de 2010

NO LIMIAR DA ANTROPOFAGIA - Parte 12 - Conto - Dimitri Kozma

Advertência: História forte, gráfica e perturbadora, leia por sua conta em risco.
Comece a ler pela parte 1, clicando aqui.

Parte 12

Naquela noite, dona Maria ouve baterem palmas na porta de sua casa, está assistindo ao capítulo da novela das sete e não quer abrir, mas depois de insistirem um pouco a curiosidade falou mais alto e dona Maria foi até o portão. Era a avultada Carmem, trazendo notícias:
- Boa noite, dona Maria.

Um pouco contrariada por estar perdendo a sua novela, dona Maria fala de uma maneira pueril:
- Boa noite... dona Carmem... Não quer entrar para tomar um chá?
Mas a gorda senhora declina o convite:
- Não... Obrigado. Só passei aqui prá avisar a senhora...
- O que aconteceu? – Pergunta a velha, curiosa.
- Parece que prenderam o Bernardo... Prenderam não... Ele se entregou... Foi agora pouco...
Dona Maria alegra-se:
- Não digo que Deus sabe o que faz? Não digo? Agora ele vai pagar pelo crime que cometeu. E Laurinha?
- A Zefa me falou que a Laurinha vai levar alta amanhã... Coitada, vai ter que morar sozinha naquela casa... – Diz Carmem, um pouco entristecida.

Com a naturalidade que lhe é peculiar, dona Maria fala, lívida:
- Deus escolheu este caminho para ela... O que podemos fazer? Paciência...
- Pois é... Bem, dona Maria, não vou tomar mais o seu tempo... Sei que a senhora gosta da novela e eu estou te atrapalhando...
- De maneira alguma, dona Carmem. Eu não gosto dessas novelas não! É muita pouca vergonha. Acho que deveriam censurar essa televisão que só passa lixo! – Esbraveja.
- Pois é... Concordo com a senhora.
Num rompante, ela continua a ralhar:
- Falando nisso, a senhora viu o capítulo de ontem da novela das oito? Viu?
- Não pude ver, estava preparando a massa do pão doce...
- Pois a senhora não perdeu nada! Nada! Foi uma barbaridade, sexo e mais sexo. Aonde vamos parar? Eu me pergunto de vez em quando para onde estamos indo... Com tanta imoralidade por aí...
Curiosa, Carmem pergunta:
- É mesmo! Mas o que aconteceu no capítulo de ontem, dona Maria?
A velha caquética apoia-se no muro e conta:
- Sabe o Luiz Fernando? Aquele moço loiro, casado com a Gisele Cristina?
Carmem balança a cabeça afirmativamente, dona Maria continua:
- Pois ele dormiu com a Raquel, irmã da Gisele Cristina! O pior é que mostraram tudo... Tudo! Onde já se viu mostrarem isso na televisão? Imagina quantas crianças estão assistindo! – Levanta a voz – Parece que hoje em dia só pensam nisso, são um bando de selvagens, isso sim!

Carmem concorda plenamente, e entra no clima de exasperação de dona Maria:
- É um horror mesmo! Depois as crianças saem por aí tudo fazendo coisa errada e ninguém sabe porque... Porque os pais não tem limite, porque eles deixam as crianças fazerem o que bem entender!
Apoiada no muro, dona Maria vê uma minúscula formiguinha, passeava perdida de sua colônia, sem pensar, ela espreme o inseto, apertando entre os dedos. Enquanto brinca com a formiga esmigalhada ela fala, ainda enfurecida:
- E aquele rapaz... Como ele chama? – Dona Maria tenta se lembrar. – Aquele que na outra novela fez o Eduardo... Aquele rapaz que tem os olhos claros...
- O Marcelo Moreno! – Lembra dona Carmem.
- Esse mesmo! Eu li na revista que ele gosta de homem. A senhora acredita numa coisa dessas? De homem! - Num estado de exaltação, dona Maria continua a berrar – Pederasta! Isso é o que ele é! Um pederasta!

Com naturalidade, dona Carmem diz:
- Xi! Isso é o que mais tem na televisão. Esses atores que fazem novelas são tudo um bando de maricas! Tudo! – Pausa por um instante e então se recorda de outro caso - Falando nisso, a senhora soube? O Deodato, casado com a Norminha? Pois é... Parece que ele assumiu que é homossexual!
- Meu Deus! Mas... Ele é pai de família! – Espanta-se dona Maria.
- Pai de família, é? Pois ele foi morar com o rapaz que trabalha na padaria, o Welinton. Largou a mulher com dois filhos e tá dormindo com aquele garoto.

Segurando a formiga em sua mão, dona Maria faz uma pelota com o inseto morto, nem percebe, então diz furiosa:
- Eles são sujos! Quando a justiça de Deus chegar eles vão se arrepender.
Dona Maria espreme mais ainda a formiga, que já está quase esfarelada:
- Eu jamais admitiria um filho meu ser assim! Eu jamais admitiria! Ainda bem que meu Júnior era muito homem! Esse é um orgulho que eu levo pro resto de minha vida! – Pausa, olha para a formiga em sua mão e continua a falar – Eu acho que esses pederastas tinham que queimar nos quintos dos infernos!
Corrige-se:
- Não que eu queira isso, é Deus que quer assim! Essa doença, a Aids... Está aí prá isso! Deus a fez prá punir esses pecadores imorais!

Carmem recorda-se com um ar saudosista:
- No nosso tempo não tinha nada disso, não é?
- Pois é! - Dona Maria olha aquela formiguinha que agora é um amontoado de partículas pretas inerte em sua palma e esfrega as mãos. Então berra - Isso é sinal do fim dos tempos! Quando Jesus voltar, trazendo a ressurreição dos justos, esses porcos miseráveis arderão nas chamas eternas! A senhora vai ver só! E nesse dia eu estarei assistindo a aqueles que não são tementes a Deus afundarem-se nas trevas.

Carmem apenas olha. Dona Maria faz uma pausa, percebe que saiu um pouco da linha e volta ao normal, dando um longo suspiro. Depois se lembra de perguntar:
- Dona Carmem, falando nisso, a senhora soube de alguma notícia sobre a Conceição?
- Pelo que eu fiquei sabendo, ela não saiu ainda de casa, não...
- Mas um dia vai ter que sair, não é? – Pergunta dona Maria, maliciosamente.
- Com certeza! Mas me conte, dona Maria, como foi naquele dia? Eu sei que vocês vararam a noite fazendo uma novena na porta dela. A Zuleica me contou...
Com um ar de contentamento, dona Maria diz:
- Pois é... Nós ficamos ali tentando tirar aquele demônio que dominou o corpo dela... Sabe, eu acho que o demônio aproveita quando as pessoas estão mais fracas de espírito para entrar no corpo delas... Só pode ser isso. A senhora não imagina como ela tratou o padre! Foi terrível!

Carmem se benze:
- Credo em cruz!
- Mas eu acho que não adiantou muito... O diabo é poderoso demais, dona Carmem!
- Mas Deus é mais forte, só Ele vai poder vencê-lo...
- E vai vencê-lo, dona Carmem. Vai vencê-lo. - Com um olhar corsário, dona Maria conta – Agora me lembrei! A senhora não acredita no que eu ouvi!
- Pois me conte, dona Maria.
- Sabe o Germano, marido da Cida?
Carmem apoia-se no muro, prestando muita atenção nas palavras de dona Maria, que continua a relatar:
- Bem... Eu ouvi dizer que o Germano está traindo a pobre dona Cida! Ouvi dizer que a vagabunda mora lá em Monte Alto... E ele vai toda tarde lá na casa dela. O safado parou até de beber, veja a senhora!
A bonachona Carmem fica estupefata com aquele fato revelado:
- Pobre Cida! Tão boa com ele e esse safado a trata assim!
Raspando com a unha uma ponta de ferrugem que acabara de reparar no pequeno portão de entrada, dona Maria diz:
- É falta de Deus no coração! A senhora sabia que ele não vai á igreja e a pobre Cida tem que ficar inventando desculpas toda hora? Da última vez ela me falou que ele estava com problema na próstata... Mas prá fazer safadeza ele não tem problema nenhum, né? Aquele velho safado! É outro que quando morrer vai direto ao inferno.

As duas ficam alguns segundos sem assunto, neste momento, olham para o chão ou para a rua. Dona Maria insiste em cutucar com a unha a ferrugem do portão, torcendo para que Carmem vá logo embora para que ela possa assistir ao final da novela. Finalmente, depois de alguns minutos em silêncio, a simpática gorda toma a iniciativa:
- Bem, dona Maria, vou precisar ir, ainda tenho que fazer o recheio do bolo que o Abel me encomendou.
- Tá certo. Bem, nos vemos amanhã na missa... Boa noite, dona Carmem.

Dona Maria entra apressada. Não quer perder o finzinho do capítulo de hoje da novela das sete. Senta-se, tira o chinelo e estica as pernas sobre um banquinho em frente ao televisor. Está confortável em seu sofá. A novela das oito vai começar, agora ela não vai mais abrir a porta, não pode perder este capítulo por nada neste mundo.

CONTINUA...

Frase do Dia

É uma pena que nós levemos tão a sério as lições da vida somente quando já não nos servem para nada.
Oscar Wilde

A cachorra que ri...

A cadela mimosa sorrindo para o dono que é meio tonto...

Lei de Gerson - Vídeo Tosco

Não entendi direito o que o cara queria fazer com este vídeo, mas a primeira cena, que simula um game side scrolling, é interessante.

12 de abril de 2010

Frase do Dia

Estamos tão familiarizados com a hipocrisia que a sinceridade de alguém nos parece um sarcasmo.
Adão Myszak

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