O novo sucesso da inclusão digital da internet precisa estar aqui com toda a plenitude de sua imbecilidade. A pequena Andressa pegou a câmera da mamãe e criou uma belíssima canção: "Linda, sou gostosa, tenho cara de Cotoca"...
Depois disso, o hit instantâneo recebeu diversas homenagens da mulherada...
E para fechar, uma animação do The Sims...
Arte, Humor, Variedades, Quadrinhos, Ilustração, Vídeos, Notícias Interessantes, Contos, Crônicas, Comics, Horror, HQ, Games, Pintura, Surrealismo, Tiras, Pintura, Literatura, Curtas Metragens, etc... Uma verdadeira SOPA DE CÉREBRO!! Está servido? Bom apetite! Dimitri Kozma - Orbe Mídia.com - www.orbemidia.com
11 de maio de 2010
NO LIMIAR DA ANTROPOFAGIA - Parte 15 - Conto - Dimitri Kozma
Advertência: História forte, gráfica e perturbadora, leia por sua conta em risco.
Comece a ler pela parte 1, clicando aqui.
Parte 15
Entra na sala de Velasquez berrando:
- Delegado! Seu Bernardo violentou a Laurinha!
Estava se equilibrando apenas nos dois pés da cadeira e quase vai ao chão com o susto que levou:
- O quê?
- Isso mesmo que o senhor está ouvindo! O seu Bernardo violentou a Laurinha! – Repete dona Maria.
- Meu deus! – Levanta-se e diz: - Mas... Isso é muito grave. Como a senhora soube?
Pensa por uma fração de segundos e responde:
- Foi ele mesmo que me confessou... Disse para que não contasse a ninguém... Mas não posso deixar isso passar em brancas nuvens... O senhor deve fazer alguma coisa...
Velasquez vai pegando a chave e grita:
- Vou falar com ele...
Mas dona Maria segura seu braço, dizendo:
- Não adianta... Ele jamais vai confessar. Eu prometi que não falaria nada... Mas... A justiça deve estar sempre em primeiro lugar.
Tentando encontrar uma saída, o delegado pensa e então sugere a si próprio:
- Então acho que seria melhor falar com a Laurinha... Ela deve confirmar...
A velha dona Maria o interrompe mais uma vez:
- E o senhor acha que, em sã consciência, um filho vai acusar um pai? Acha? Ora, delegado...
- Mas, como podemos fazer? – Diz Velasquez, relutante, transparecendo ser um delegado sem a menor experiência.
- Simples. – Diz ela escondendo um sorriso. – O senhor deve acreditar em mim... Se o senhor confiar em mim, sabe que isso é verdade...
Ele a olha por alguns instantes, tem medo da retaliação do povo se essa notícia se espalhar e ele, como delegado, não tomar nenhuma atitude. Tem medo de que descubram que ele não tem nenhuma autoridade nem pulso firme para gerir aquela delegacia. Conhecia dona Maria de longa data e sabia que ela iria espalhar a notícia pela cidade. Aquilo o fazia tremer. Finalmente depois de relutar por alguns instantes, resolve:
- Certo! Claro que eu acredito na senhora. Amanhã mesmo vou mandá-lo para a penitenciária na cidade de Passos Dourados, acho que não podemos mais mantê-lo aqui...
Dona Maria se vira de costas para o delegado e esgarça um maravilhoso sorriso, tentando se conter, ela volta-se para ele:
- É assim mesmo que se faz, delegado. Parabéns.
- Espero que estejamos fazendo a coisa certa, dona Maria... – Fala o delegado Velasquez, ainda inseguro.
- Pode ter certeza que esta é a melhor solução. – Conclui dona Maria.
Despedem-se e ela sai da delegacia radiante, certa de ter cumprido mais uma boa ação á comunidade, expurgando mais um fruto podre de seu belo município.
Voltando à praça, dona Maria vê um bafafá estranho, percebe que está havendo um bate-bocas tremendo. Quando se aproxima mais, vê dona Cida e dona Carmem, uma gritando com a outra de uma maneira quase irracional. Em volta, diversos curiosos assistem a aquele bizarro duelo entre duas senhoras desbocadas. As palavras parecem tomar forma no ar: “Vagabunda mentirosa!” – “Corna! Chifruda!” – “Vai cuidar do seu marido!” – “Vá á merda!” – “Vai você! Trouxa! Chifruda!”. Aquele desfile de atrocidades que as duas pronunciavam parecia não ter fim, os ânimos estavam exaltados e por pouco não saiu tapa daquela discussão.
Dona Maria permanece ali, junto com os outros curiosos que queriam saber o que estava acontecendo ali. Mas Maria já sabia de tudo. Fora ela que havia plantado a semente da discórdia. Estava feliz em ver aquelas duas gordas velhas se digladiando sem pudor. Ali, no meio do povo todo. Um espetáculo gratuito, um circo.
O nível da discussão começava a diminuir cada vez mais. Mas dona Maria não queria se envolver, na verdade não poderia se envolver de maneira alguma, pois estava metida até o pescoço nessa confusão. Palavras de baixo calão eram pronunciadas de maneira mais direta, o povo se deliciava ao ver tamanho espetáculo repleto de grosseria.
Dona Maria começa a imaginar como seria maravilhoso ver aquelas duas leitoas gordas rolando no chão, uma mordendo a outra até arrancar pedaços. O sangue jorrando pelos poros. A roupa se rasgando e as duas nuas no meio da praça dando uma exibição de luta livre. Aquelas duas velhas guerreando até a morte naquela grama verde impregnada de fezes de cachorros. Imagina as unhas rompendo a pele branca, os seios flácidos sendo amputados apenas com a força das presas.
Mas ao cair na real, já estava tudo apaziguado. Alguns homens fortes conseguiram segurar as duas e levá-las para sua respectivas casas. Com enorme dificuldade, claro, pois elas não queriam encerrar aquilo de maneira nenhuma. Dona Maria olha para os homens que seguravam as duas velhas e pensa: “Estraga prazeres!”
Findo o burlesco espetáculo, os curiosos se retiram, não havia mais nada para se ver ali.
De tarde, resolve ir visitar dona Cida, quer saber o que aconteceu. Almoça uma abobrinha refogada que preparou ás pressas e sem delongas vai até a casa da comadre.
Ela atende a porta inchada de tanto chorar. Nunca, em todos esses anos que dona Maria a conhecia, viu dona Cida assim. Ela recebe sua comadre com uma visível indisposição, mas dona Maria não percebe, ou pelo menos finge não perceber, e diz:
- Dona Cida... Como a senhora está?
Ela pede para a comadre entrar com um sopro de voz:
- Entre, dona Maria... Não quero ficar aqui na porta...
Sentam-se no sofá da sala, a casa está um pouco suja, nada muito grave, mas não está aquele brinco que costumava ficar. Dona Cida tenta ser educada:
- Aceita um chá, dona Maria?
- Não, obrigada, vim ver como a senhora estava...
Olha para o teto, dá um longo suspiro e diz:
- Não estou muito bem, não, comadre... Eu acho que aquilo que a senhora me falou sobre o Germano era verdade...
- Porquê? O que foi que a senhora soube? – Pergunta dona Maria, com as mãos sobre o joelho.
- A Carmem... Estava passando pela praça e me xingou! Disse cada nome... Me chamou de chifruda, de corna... Ela deve saber de alguma coisa...
Dona Maria fica cintilante:
- Com certeza deve saber... Mas de que adianta saber mais? De que adianta? Seu marido é como qualquer outro homem... Um safado sem-vergonha... A senhora acha que vale saber mais para sofrer mais com a verdade?
Reluta:
- Bem... Não sei...
Dona Maria responde:
- Pois eu digo: Não vale, dona Cida!
Cida olha para uma pegada de lama seca no tapete e se lembra de contar:
- Ontem... Nós tivemos uma briga horrível... Ele chegou tarde em casa, fedia como um gambá... Mas não tinha bebido... O pé dele estava todo sujo de barro... Disse que o pneu do caminhão furou...
- Desculpa! Todos inventam desculpas! – Berra dona Maria.
- Pois eu também achei isso, então comecei a gritar com ele... Disse que ele tinha uma amante... Ele ficou nervoso, quase me bateu... Mas o Germano nunca levantou a mão prá mim, e não foi dessa vez que ele iria fazer isso...
Inerte no sofá, Maria fica nervosa ao ouvir aquilo, pensa: “Nunca bateu nela? Que marido frouxo é esse?” a interrompe:
- Eu acho que o casamento de vocês não tem mais futuro...
- Mas...
- Isso mesmo, dona Cida... Acho que é melhor cada um ir para seu lado... Você vê meu caso, por exemplo, eu não tenho mais marido e que falta me faz? Nenhuma! – Completa dona Maria, dando uma de conselheira sentimental.
- Mas... A senhora acha mesmo que eu devo me separar dele? – Pergunta a transtornada Cida.
Aproxima-se da comadre e aconselha:
- Olha... Na bíblia está escrito... A mulher deve ser submissa ao marido... Mas que marido é esse que trai? Que marido é esse? Ele é um canalha! Eu no lugar da senhora pedia a separação urgente...
Mas dona Cida se lembra, e cutuca dona Maria:
- Mas... A senhora não ficou com o Olegário mesmo sabendo que ele traía?
Meio sem-jeito, dona Maria acaba admitindo:
- Sim, é verdade... Mas minha história foi diferente...
- Como assim? – Pergunta Cida.
- Ele era um homem doente... Eu não podia me separar dele enquanto ele definhava aos poucos... Não eu! – Para por um instante e continua: - Mas o Germano é saudável... Não é?
- Fora o problema da próstata, ele é... – Diz dona Cida.
- Pois então... Não há nada que segure a senhora e a mantenha casada com ele... Nem filhos vocês tiveram...
Quando dona Maria fala isso, Cida começa a se emocionar, seu rosto que já estava inchado de tantas lágrimas, toma uma feição ainda mais triste. Ela, depois de limpar o nariz que escorria, diz:
- Eu perdi dois filhos ainda na barriga, estavam bem pequenos... Perdi um com dois e outro com quatro meses... Nunca mais tentamos... Quer saber a verdade... Faz mais de vinte anos que o Germano não me toca! Mais de vinte anos!
Uma alegria invade o espírito de dona Maria, que se esforça enormemente para não demonstrar isso:
- Mais uma prova de que ele tem uma amante... Uma amante ou várias... Vai saber...
Cida continua suas lamúrias:
- Eu as vezes passo as noites pensando como seria bom tentar mais uma vez... Mas ele me disse que estava impotente. Que não conseguia mais fazer... E eu fui deixando... Nunca imaginei que poderia ter uma amante. Nunca!
- Pois então... Faça isso! Separe-se dele! Sua vida vai melhorar muito. Muito mesmo!
Relutante, dona Cida aceita:
- Está bem, dona Maria... Eu vou fazer isso...
- É assim que se fala...
Dona Maria se levanta e se despede da comadre. Observava aquela mulher, que não era tão velha, deveria ter uns cinquenta e cinco, sessenta anos, no máximo. Em seu subconsciente ela pensava: “Sim! Isso mesmo! Separe-se! Se eu não tenho marido! Porque você deve ter? Sua velha gorda! Eu quero ver você engordar até explodir depois que se separar daquele bêbado nojento!”. Vai até a porta e diz:
- Estou torcendo pela senhora, dona Cida!
Sai feliz por ter conseguido arrebatar mais uma fiel que se dedicaria em tempo integral á igreja e a comunidade. Um sentimento de missão cumprida permeava sua alma.
CONTINUA
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Parte 15Entra na sala de Velasquez berrando:
- Delegado! Seu Bernardo violentou a Laurinha!
Estava se equilibrando apenas nos dois pés da cadeira e quase vai ao chão com o susto que levou:
- O quê?
- Isso mesmo que o senhor está ouvindo! O seu Bernardo violentou a Laurinha! – Repete dona Maria.
- Meu deus! – Levanta-se e diz: - Mas... Isso é muito grave. Como a senhora soube?
Pensa por uma fração de segundos e responde:
- Foi ele mesmo que me confessou... Disse para que não contasse a ninguém... Mas não posso deixar isso passar em brancas nuvens... O senhor deve fazer alguma coisa...
Velasquez vai pegando a chave e grita:
- Vou falar com ele...
Mas dona Maria segura seu braço, dizendo:
- Não adianta... Ele jamais vai confessar. Eu prometi que não falaria nada... Mas... A justiça deve estar sempre em primeiro lugar.
Tentando encontrar uma saída, o delegado pensa e então sugere a si próprio:
- Então acho que seria melhor falar com a Laurinha... Ela deve confirmar...
A velha dona Maria o interrompe mais uma vez:
- E o senhor acha que, em sã consciência, um filho vai acusar um pai? Acha? Ora, delegado...
- Mas, como podemos fazer? – Diz Velasquez, relutante, transparecendo ser um delegado sem a menor experiência.
- Simples. – Diz ela escondendo um sorriso. – O senhor deve acreditar em mim... Se o senhor confiar em mim, sabe que isso é verdade...
Ele a olha por alguns instantes, tem medo da retaliação do povo se essa notícia se espalhar e ele, como delegado, não tomar nenhuma atitude. Tem medo de que descubram que ele não tem nenhuma autoridade nem pulso firme para gerir aquela delegacia. Conhecia dona Maria de longa data e sabia que ela iria espalhar a notícia pela cidade. Aquilo o fazia tremer. Finalmente depois de relutar por alguns instantes, resolve:
- Certo! Claro que eu acredito na senhora. Amanhã mesmo vou mandá-lo para a penitenciária na cidade de Passos Dourados, acho que não podemos mais mantê-lo aqui...
Dona Maria se vira de costas para o delegado e esgarça um maravilhoso sorriso, tentando se conter, ela volta-se para ele:
- É assim mesmo que se faz, delegado. Parabéns.
- Espero que estejamos fazendo a coisa certa, dona Maria... – Fala o delegado Velasquez, ainda inseguro.
- Pode ter certeza que esta é a melhor solução. – Conclui dona Maria.
Despedem-se e ela sai da delegacia radiante, certa de ter cumprido mais uma boa ação á comunidade, expurgando mais um fruto podre de seu belo município.
Voltando à praça, dona Maria vê um bafafá estranho, percebe que está havendo um bate-bocas tremendo. Quando se aproxima mais, vê dona Cida e dona Carmem, uma gritando com a outra de uma maneira quase irracional. Em volta, diversos curiosos assistem a aquele bizarro duelo entre duas senhoras desbocadas. As palavras parecem tomar forma no ar: “Vagabunda mentirosa!” – “Corna! Chifruda!” – “Vai cuidar do seu marido!” – “Vá á merda!” – “Vai você! Trouxa! Chifruda!”. Aquele desfile de atrocidades que as duas pronunciavam parecia não ter fim, os ânimos estavam exaltados e por pouco não saiu tapa daquela discussão.
Dona Maria permanece ali, junto com os outros curiosos que queriam saber o que estava acontecendo ali. Mas Maria já sabia de tudo. Fora ela que havia plantado a semente da discórdia. Estava feliz em ver aquelas duas gordas velhas se digladiando sem pudor. Ali, no meio do povo todo. Um espetáculo gratuito, um circo.
O nível da discussão começava a diminuir cada vez mais. Mas dona Maria não queria se envolver, na verdade não poderia se envolver de maneira alguma, pois estava metida até o pescoço nessa confusão. Palavras de baixo calão eram pronunciadas de maneira mais direta, o povo se deliciava ao ver tamanho espetáculo repleto de grosseria.
Dona Maria começa a imaginar como seria maravilhoso ver aquelas duas leitoas gordas rolando no chão, uma mordendo a outra até arrancar pedaços. O sangue jorrando pelos poros. A roupa se rasgando e as duas nuas no meio da praça dando uma exibição de luta livre. Aquelas duas velhas guerreando até a morte naquela grama verde impregnada de fezes de cachorros. Imagina as unhas rompendo a pele branca, os seios flácidos sendo amputados apenas com a força das presas.
Mas ao cair na real, já estava tudo apaziguado. Alguns homens fortes conseguiram segurar as duas e levá-las para sua respectivas casas. Com enorme dificuldade, claro, pois elas não queriam encerrar aquilo de maneira nenhuma. Dona Maria olha para os homens que seguravam as duas velhas e pensa: “Estraga prazeres!”
Findo o burlesco espetáculo, os curiosos se retiram, não havia mais nada para se ver ali.
De tarde, resolve ir visitar dona Cida, quer saber o que aconteceu. Almoça uma abobrinha refogada que preparou ás pressas e sem delongas vai até a casa da comadre.
Ela atende a porta inchada de tanto chorar. Nunca, em todos esses anos que dona Maria a conhecia, viu dona Cida assim. Ela recebe sua comadre com uma visível indisposição, mas dona Maria não percebe, ou pelo menos finge não perceber, e diz:
- Dona Cida... Como a senhora está?
Ela pede para a comadre entrar com um sopro de voz:
- Entre, dona Maria... Não quero ficar aqui na porta...
Sentam-se no sofá da sala, a casa está um pouco suja, nada muito grave, mas não está aquele brinco que costumava ficar. Dona Cida tenta ser educada:
- Aceita um chá, dona Maria?
- Não, obrigada, vim ver como a senhora estava...
Olha para o teto, dá um longo suspiro e diz:
- Não estou muito bem, não, comadre... Eu acho que aquilo que a senhora me falou sobre o Germano era verdade...
- Porquê? O que foi que a senhora soube? – Pergunta dona Maria, com as mãos sobre o joelho.
- A Carmem... Estava passando pela praça e me xingou! Disse cada nome... Me chamou de chifruda, de corna... Ela deve saber de alguma coisa...
Dona Maria fica cintilante:
- Com certeza deve saber... Mas de que adianta saber mais? De que adianta? Seu marido é como qualquer outro homem... Um safado sem-vergonha... A senhora acha que vale saber mais para sofrer mais com a verdade?
Reluta:
- Bem... Não sei...
Dona Maria responde:
- Pois eu digo: Não vale, dona Cida!
Cida olha para uma pegada de lama seca no tapete e se lembra de contar:
- Ontem... Nós tivemos uma briga horrível... Ele chegou tarde em casa, fedia como um gambá... Mas não tinha bebido... O pé dele estava todo sujo de barro... Disse que o pneu do caminhão furou...
- Desculpa! Todos inventam desculpas! – Berra dona Maria.
- Pois eu também achei isso, então comecei a gritar com ele... Disse que ele tinha uma amante... Ele ficou nervoso, quase me bateu... Mas o Germano nunca levantou a mão prá mim, e não foi dessa vez que ele iria fazer isso...
Inerte no sofá, Maria fica nervosa ao ouvir aquilo, pensa: “Nunca bateu nela? Que marido frouxo é esse?” a interrompe:
- Eu acho que o casamento de vocês não tem mais futuro...
- Mas...
- Isso mesmo, dona Cida... Acho que é melhor cada um ir para seu lado... Você vê meu caso, por exemplo, eu não tenho mais marido e que falta me faz? Nenhuma! – Completa dona Maria, dando uma de conselheira sentimental.
- Mas... A senhora acha mesmo que eu devo me separar dele? – Pergunta a transtornada Cida.
Aproxima-se da comadre e aconselha:
- Olha... Na bíblia está escrito... A mulher deve ser submissa ao marido... Mas que marido é esse que trai? Que marido é esse? Ele é um canalha! Eu no lugar da senhora pedia a separação urgente...
Mas dona Cida se lembra, e cutuca dona Maria:
- Mas... A senhora não ficou com o Olegário mesmo sabendo que ele traía?
Meio sem-jeito, dona Maria acaba admitindo:
- Sim, é verdade... Mas minha história foi diferente...
- Como assim? – Pergunta Cida.
- Ele era um homem doente... Eu não podia me separar dele enquanto ele definhava aos poucos... Não eu! – Para por um instante e continua: - Mas o Germano é saudável... Não é?
- Fora o problema da próstata, ele é... – Diz dona Cida.
- Pois então... Não há nada que segure a senhora e a mantenha casada com ele... Nem filhos vocês tiveram...
Quando dona Maria fala isso, Cida começa a se emocionar, seu rosto que já estava inchado de tantas lágrimas, toma uma feição ainda mais triste. Ela, depois de limpar o nariz que escorria, diz:
- Eu perdi dois filhos ainda na barriga, estavam bem pequenos... Perdi um com dois e outro com quatro meses... Nunca mais tentamos... Quer saber a verdade... Faz mais de vinte anos que o Germano não me toca! Mais de vinte anos!
Uma alegria invade o espírito de dona Maria, que se esforça enormemente para não demonstrar isso:
- Mais uma prova de que ele tem uma amante... Uma amante ou várias... Vai saber...
Cida continua suas lamúrias:
- Eu as vezes passo as noites pensando como seria bom tentar mais uma vez... Mas ele me disse que estava impotente. Que não conseguia mais fazer... E eu fui deixando... Nunca imaginei que poderia ter uma amante. Nunca!
- Pois então... Faça isso! Separe-se dele! Sua vida vai melhorar muito. Muito mesmo!
Relutante, dona Cida aceita:
- Está bem, dona Maria... Eu vou fazer isso...
- É assim que se fala...
Dona Maria se levanta e se despede da comadre. Observava aquela mulher, que não era tão velha, deveria ter uns cinquenta e cinco, sessenta anos, no máximo. Em seu subconsciente ela pensava: “Sim! Isso mesmo! Separe-se! Se eu não tenho marido! Porque você deve ter? Sua velha gorda! Eu quero ver você engordar até explodir depois que se separar daquele bêbado nojento!”. Vai até a porta e diz:
- Estou torcendo pela senhora, dona Cida!
Sai feliz por ter conseguido arrebatar mais uma fiel que se dedicaria em tempo integral á igreja e a comunidade. Um sentimento de missão cumprida permeava sua alma.
CONTINUA
Eduard Khil - O Silvio Santos Russo
Espetacular este vídeo musical russo com Eduard Khil, o Silvio Santos da terra da vodka. Está com cara de ter sido gravado nos anos 70, mas vindo da Rússia, não se pode ter certeza de nada... O vídeo virou sucesso mundial e é conhecido como "Tralalala" ou "Mr. Trololo". Imperdível!
E aqui uma entrevista na Rússia sobre o sucesso de Eduard Khil no mundo.
E aqui uma entrevista na Rússia sobre o sucesso de Eduard Khil no mundo.