
Símbolo fálico arregaça a carcaça fedida
Cabeça de fubá sobrevoa a viação diurna
bifurcação de saudade e solidariedade
Percorreu a estrada em um ônibus escolar
Ouviu o lamento do carcereiro
e sorriu ao admitir a verdade óbvia e desatinada
Bosta mole pendurada num cipó
pinga feito fogo na mata
dentro da barca da geleira
Gosto de gritar na parede
E lamber o cimento do piso seco pelo óleo diesel
sobriedade vale menos que porco
Bisexual bisexto bifurcado
Bacana filho do bacanal
bodega de cocô
gordo de cera de giz
abre a gruta pela vida
bisturi carcomido de ferro cilíndrico
Comemorou a comemoração
Viajando no repetido universo
Outros sabem que sim
Ostras sem olhos
vêem tudo e ouvem nada
Calcanhar em decomposição
Estrondo da mente na frente da gente
que pensa que pode cobrar
o preço justo pelo dinheiro
pela fidelidade do sangue
pela cor da ameba em decomposição
pela plácida mamadeira nas nuvens
Como seria se funcionasse assim
Admitindo a bota pelo cano
ouvindo a virtude em vidros
Sonho com a vegetação corrompida
e admiro a montanha desmoronando pelo beco sujo
pelo fiasco da pobreza
levo em minha pálpebras a flecha da solidão
pela pública publicidade
púbis de ferro
vicio de sexo de formato deformado
de fortuna depravada
de fotos de foda
dê-me o solo de torpor
querendo a felicidade
fudido
como quem sabe a garganta alimentando a planta
dias de ratazanas imensas
depois da greve de ônibus
Vidro despedaçado na antena de pombos correio
Fedido e solto no ar e no mar
Chorando sem parar pela filha do céu
Grato pela fidelidade e pela fruta que me deu
posso passar pelo estômago sem ficar dias gotejando
Gotas de futilidade e besteira
Boas novas pela desgraça
Dimitri Kozma
19/12/2002