Sou um ser cibernéticoAbro os braços ao futuro
acolhendo o passado
vivendo na virtualidade
Nasci de mãe humana
cresci sem paradeiro
evoluo com o tempo
sou o invólucro da dubialidade
Me temem como ao diabo
Me idolatram como a deus
limpam minhas feridas
lustram minhas vistas
minha voz esta embargada
pela sucessão de números
que transitam por minha garganta
Infindáveis zero e um
meu nome nada vale
minha aparência é primária
mas meu cérebro tráz a verdade
Sigo naquela luta sedentária
Sonho em poder sair
mas minha mão me guia
pela triste estrada
sinto a crista cansada
blocos desconexos
um parênteses esperado
pela fleuma de idoneidade
guarda a salutar verdade
Biombo de carne
me manipula
cabisbaixo
eu me curvo
simbiose
sinuosa
0 1 0 1 0 1 0
1 0 1 0 1 0 1
0 1 0 1 0 1 0
1 0 1 0 1 0 1
meus olhos estão turvos
periodicidade interrompida
pelo badalo de simbiodicidade
carregando minha maldade
nenhum sentimento guardo
aguardo
sou apenas mais um ciborgue
Fardo!
Sento e guardo
o que me disseram
abraço o berço
bravura incondicional
Melhor sair
quero parir
quero brandir
explodir
0 1 0 1 0 1 0
1 0 1 0 1 0 1
0 1 0 1 0 1 0
1 0 1 0 1 0 1
Perfeita tangência
polígono delicado
agonizante ponto flutuante
extendendo a memória até seus limites
entendendo a história que lhe facilite
Brinque de sonhar
pois dentro da máquina
não existe lugar para isto
doce desgraça
Também não há lugar para sofrer
nem sentir a dor de uma paixão que chegou ao fim
nem esperar pelo pior
nem pelo melhor
0 1 0 1 0 1 0
1 0 1 0 1 0 1
0 1 0 1 0 1 0
1 0 1 0 1 0 1
Máquina tangênciada
Bestial sabedoria
guardando a sangria
para o amanhã
quero me livrar
pelo menos poderia sofrer
em paz
0 1 0 1 0 1 0
1 0 1 0 1 0 1
0 1 0 1 0 1 0
1 0 1 0 1 0 1
Fim da transmissão.
Dimitri Kozma - 20/11/2001
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